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domingo, 18 de maio de 2014

Reação em cadeia

                             
                                        

Wilalba F. Souza                                                                  16mai14

Hoje foi enterrado, em Belo Horizonte, segundo nos chegou ao conhecimento, o cabo César. Reagiu a um assalto e acabou sendo assassinado pelo(s) meliante(s). Após seus funerais os presentes,entre eles oficiais e praças, resolveram partir para uma manifestação, cooptada por redes sociais, em frente ao CICOP (Centro Integrado de Operações), ex-COPOM, próximo à Praça da Liberdade. Segundo me informaram, os manifestantes renegaram a liderança da Comandante do Policiamento da Região, dos deputados “representantes” da PM...”, associações, etc. Parece que um capitão assumiu a frente do “movimento”. Houve discursos, ameaças de paralisação no mês que vem, com “operação tartaruga”, repudiaram a Justiça Militar (sem ela é caminhar para a desmilitarização e assumir seus riscos) e a Corregedoria de Polícia. Depois dos discursos, das cobranças, e de abraçar o prédio que antes sediava o comando da PM, se dispersaram, marcando novo encontro, no mesmo local, no dia da missa de sétimo dia do nosso pranteado companheiro.

A verdade deve ser dita. Quem passa, por vontade própria, a integrar a PMMG sabe, e aprende mais ainda lá dentro, sobre seus riscos. Não é a primeira nem última vez que PM vai ser morto por meliante. Esteja ele em serviço ou não. Televisão e jornal destacam esses infortúnios diariamente, por toda a nação brasileira. A sensação que se tem é de que “o caldo” começa, se isto já não ocorreu, a entornar.  A pressão sobre o pessoal do policiamento ostensivo (PM, evidentemente) é insana, agravada por medidas equivocadas tomadas por governos e comandos. O “aperto maior  vem de fora”. Dos políticos, dos tais sociólogos, das entidades que dão, direta ou indiretamente, guarida a quem pratica ilegalidades nas comunidades - antigas favelas - abrigo ostensivo de marginais -,  dos sem terra, dos sem casa, dos “black blocks”, do senador fulano, do deputado sicrano, do traficante que controla os presídios, das leis frágeis exercitadas por judiciário fragilizado, e por aí vai.

Infelizmente, para as PM, só sobram “rabos de foguete”: o Carandiru de São Paulo; os invasores “sem terra”, há anos, no Pará, e coisas semelhantes, como as UPA no Rio de Janeiro. Tudo por deficiência nas ações e políticas sociais, no judiciário, em ministérios da maior importância e que, pra nossa desgraça, são conduzidos mais por discursos melosos que por ações. Temos assistido, pela mídia, debates e mais debates sobre – não é bem assim, o termo, mas muito parecido – o que fazer com as Polícias Militares? Afirmam que elas não estão preparadas para interferir no controle e combate à criminalidade; militar foi preparado para guerra e outras “presepadas” sem pé ou cabeça. E aí os “pesquisadores” se debruçam sobre “seus achados” e afirmam que PM é “cria da revolução”.

Qual delas?. Se é da de 64 eles estão trocando “coelho por lebre”. Mas este exemplo não serve, não conheço quem saiba diferenciar os dois animais. Então vamos dizer, cabrito com cachorro. Se os dois estiverem mortos, sem cabeças e sem patas, complica. Porque? Quando na ativa, na cidade de Governador Valadares, tinha um vendedor de cabritos conhecido e muito procurado pela sua freguesia. Até o dia em que ele esqueceu-se de cortar os pés do bichinho. Deram – a clientela – uma “coça” nele.

Em 1.964, quando os políticos envolveram a PM de Minas na “Revolução” não tínhamos adestramento, instrução e armamento para o combate. Muitos fuzis velhos, verdadeiras relíquias e efetivo psicologicamente despreparado para “a guerra”. Gente fardada, mas pacífica, em tempos que a criminalidade era localizada, identificável e basicamente sob controle. Nos quartéis foi um horror. Um batalhão, por maior que fosse, no interior, tinha uma frota de dois, três veículos, se tanto. Na capital não devia ser diferente. Assim, depois do “Movimento Civil Militar” nos preparamos  técnica e materialmente para executar a missão de, com exclusividade, exercer o policiamento ostensivo. É o que sabemos fazer e o que fazemos há cinqüenta anos,  desde que nos dêem um mínimo de condições e de valorização. Esses desmandos verborrágicos que o povo tem ouvido por aí em nada ajudam. Pelo contrário, jogam contra a segurança da família, do trabalhador, das nossas vidas, enfim.

Concluindo, podemos inferir que essa movimentação se deva mais às falácias e a desconsideração de órgãos oficiais que deveriam apoiar quem tem a missão de dar segurança, e não o contrário. Na ocorrência que vitimou o cabo César, do 13BPM, um marginal teria sido morto em tiroteio, um, bastante avariado, preso e um fugiu. Mas tem gente na sua captura. Urge que se trate o caso com cuidado. Acho que a população não pode e não deve pagar esta conta. É só lembrar o que aconteceu no Pernambuco esses dias. Reação em cadeia será um desastre completo. Ainda mais quando propalam por aí que “tudo começa por Minas”.







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