Wilalba
F. Souza
16mai14
Hoje foi enterrado, em Belo Horizonte ,
segundo nos chegou ao conhecimento, o cabo César. Reagiu a um assalto e acabou
sendo assassinado pelo(s) meliante(s). Após seus funerais os presentes,entre
eles oficiais e praças, resolveram partir para uma manifestação, cooptada por
redes sociais, em frente ao CICOP (Centro Integrado de Operações), ex-COPOM,
próximo à Praça da Liberdade. Segundo me informaram, os manifestantes renegaram
a liderança da Comandante do Policiamento da Região, dos deputados
“representantes” da PM...”, associações, etc. Parece que um capitão assumiu a
frente do “movimento”. Houve discursos, ameaças de paralisação no mês que vem, com
“operação tartaruga”, repudiaram a Justiça Militar (sem ela é caminhar para a
desmilitarização e assumir seus riscos) e a Corregedoria de Polícia. Depois dos
discursos, das cobranças, e de abraçar o prédio que antes sediava o comando da
PM, se dispersaram, marcando novo encontro, no mesmo local, no dia da missa de
sétimo dia do nosso pranteado companheiro.
A verdade deve ser dita. Quem passa, por
vontade própria, a integrar a PMMG sabe, e aprende mais ainda lá dentro, sobre
seus riscos. Não é a primeira nem última vez que PM vai ser morto por meliante.
Esteja ele em serviço ou não. Televisão e jornal destacam esses infortúnios
diariamente, por toda a nação brasileira. A sensação que se tem é de que “o
caldo” começa, se isto já não ocorreu, a entornar. A pressão sobre o pessoal do policiamento
ostensivo (PM, evidentemente) é insana, agravada por medidas equivocadas
tomadas por governos e comandos. O “aperto maior vem de fora”. Dos políticos, dos tais
sociólogos, das entidades que dão, direta ou indiretamente, guarida a quem
pratica ilegalidades nas comunidades - antigas favelas - abrigo ostensivo de
marginais -, dos sem terra, dos sem
casa, dos “black blocks”, do senador fulano, do deputado sicrano, do traficante
que controla os presídios, das leis frágeis exercitadas por judiciário
fragilizado, e por aí vai.
Infelizmente, para as PM, só sobram
“rabos de foguete”: o Carandiru de São Paulo; os invasores “sem terra”, há
anos, no Pará, e coisas semelhantes, como as UPA no Rio de Janeiro. Tudo por
deficiência nas ações e políticas sociais, no judiciário, em ministérios da
maior importância e que, pra nossa desgraça, são conduzidos mais por discursos
melosos que por ações. Temos assistido, pela mídia, debates e mais debates
sobre – não é bem assim, o termo, mas muito parecido – o que fazer com as
Polícias Militares? Afirmam que elas não estão preparadas para interferir no
controle e combate à criminalidade; militar foi preparado para guerra e outras
“presepadas” sem pé ou cabeça. E aí os “pesquisadores” se debruçam sobre “seus
achados” e afirmam que PM é “cria da revolução”.
Qual delas?. Se é da de 64 eles estão
trocando “coelho por lebre”. Mas este exemplo não serve, não conheço quem saiba
diferenciar os dois animais. Então vamos dizer, cabrito com cachorro. Se os
dois estiverem mortos, sem cabeças e sem patas, complica. Porque? Quando na
ativa, na cidade de Governador Valadares, tinha um vendedor de cabritos
conhecido e muito procurado pela sua freguesia. Até o dia em que ele
esqueceu-se de cortar os pés do bichinho. Deram – a clientela – uma “coça”
nele.
Em 1.964, quando os políticos envolveram
a PM de Minas na “Revolução” não tínhamos adestramento, instrução e armamento
para o combate. Muitos fuzis velhos, verdadeiras relíquias e efetivo
psicologicamente despreparado para “a guerra”. Gente fardada, mas pacífica, em
tempos que a criminalidade era localizada, identificável e basicamente sob
controle. Nos quartéis foi um horror. Um batalhão, por maior que fosse, no
interior, tinha uma frota de dois, três veículos, se tanto. Na capital não
devia ser diferente. Assim, depois do “Movimento Civil Militar” nos
preparamos técnica e materialmente para
executar a missão de, com exclusividade, exercer o policiamento ostensivo. É o
que sabemos fazer e o que fazemos há cinqüenta anos, desde que nos dêem um mínimo de condições e de
valorização. Esses desmandos verborrágicos que o povo tem ouvido por aí em nada
ajudam. Pelo contrário, jogam contra a segurança da família, do trabalhador,
das nossas vidas, enfim.
Concluindo, podemos inferir que essa
movimentação se deva mais às falácias e a desconsideração de órgãos oficiais
que deveriam apoiar quem tem a missão de dar segurança, e não o contrário. Na
ocorrência que vitimou o cabo César, do 13BPM, um marginal teria sido morto em
tiroteio, um, bastante avariado, preso e um fugiu. Mas tem gente na sua
captura. Urge que se trate o caso com cuidado. Acho que a população não pode e
não deve pagar esta conta. É só lembrar o que aconteceu no Pernambuco esses
dias. Reação em cadeia será um desastre completo. Ainda mais quando propalam
por aí que “tudo começa por Minas”.
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