Wilalba F. Souza
21mai2013
Esse negócio de greve á antigo. Seus
“ensaios” devem ter começado a partir da “revolução industrial”, na Inglaterra,
no final do século IX. Com o avanço tecnológico, as máquinas e equipamentos se
modernizaram, bem como os meios de comunicação e transportes. Como, nem
sempre,“coisa puxa coisa”, o capitalismo evoluiu para “dinheiro fazer
dinheiro”, e era isto que mais importava, ficando para trás assuntos de crucial
importância, como as condições do trabalho humanas. A parte social da classe operária reagiu.
Salários eram infames perto da lucratividade dos ricos industriais. O trabalho
escravo, por isto, passou a ser combatido e culturalmente apoiado.
Muitos de nós podemos, ainda, assistir a
um dos filmes mais interessantes de Charlie Chaplin – clássico do cinema mundial
- encontrado pelas lojas, em relançamentos. A
pérola chamada “Tempos Modernos” sempre nos divertiu e ensinou. No enredo, donos de
fábricas, com ternos bem cortados e de tecido especial, fumam vistosos
charutos, usam elegantes cartolas, e
pressionam trabalhadores mal vestidos, sujos
e suados. Podiam fazer isto pela facilidade de se encontrar mão de obra e
porque, as leis, deles quase nada cobravam. São inesquecíveis as cenas de
“Carlitos” se contorcendo entre engrenagens e, mais tarde, acidentalmente,
empunhando uma bandeira, liderando passeata por melhores condições de vida,
certamente...com a polícia atrás. Ilariante!
Nessa trajetória, poucos anos depois, fortaleceram-se
os sindicatos - união
e organização operária- no benefício de toda sorte de trabalhadores. Leis foram criadas, pelo mundo, exatamente
para tornar mais viável a lida dos homens, em todos os sentidos. Assim, greve é
um instituto centenariamente reconhecido. Nos “entreveros” entre patrões e
empregados é um dos instrumentos que podem ser usados. Excessos, de ambas as
partes, envolvem a Justiça, para decidir a questão. Infelizmente, as tratativas
nem sempre alcançam, com objetividade, um equilíbrio que atendam todos.
Manifestações, passeatas e outros atos públicos costumam tomar rumos
impertinentes, em prejuízo de todo mundo, da população em geral. E , observando a
legislação, a partir da lei maior, vê-se que ela cobra, determinados setores, por sua importância fundamental, obediência a alguns pressupostos que, ao fim,
servem de “escora” para os patrões. E isto é comumente visto nas atividades do
serviço público.
Todo mundo sabe que, para militares, a
greve é proibida. Militar não pode ter sindicato, ou fazer manifestação. Deve
pautar pelos regulamentos e pela legislação militar. Assim, essa classe, mais ainda o pessoal das
Forças Armadas, “treinado apenas para cumprir ordens”, ( no entender do
falecido político Leonel Brizola), gaúcho que proibiu suas forças policiais de subir nos
morros do Rio, fica sem saída. “Engole” o
choro.
E as coisas, eles dizem, estão cada vez
piores. Acho eu que os militares das
forças armadas brasileiras “estão porrrraquí”, igualzinho a um humorístico da
“Escolinha do Professor Raimundo.
As Policias Militares são mais abertas,
Vivem em contato direto com a população e assimilam suas dores, suas agruras,
pois a “guerra” que enfrentam engloba desde o sutil policiamento escolar, às
badalações dos grandes eventos, aos desfiles comemorativos, às formaturas
glamurosas, ao enfrentamento de marginais perigosíssimos, com suas quadrilhas,
vinculadas aos crime organizado. Nas desocupações de áreas e prédios invadidos,
são elas que se fazem presentes. O mesmo PM que fez o parto ontem, tem que
lançar a granada fumígena hoje. Suas manifestações, suas greves, são ilegais, mas volta e meia isto acontecem, pela fragilidade dos governos e pela falta de
iniciativa em minimizar os problemas que as rodeiam. As lideranças, nestes
casos, nem sempre são as mesmas.
Nos ocorre perguntar: das paralisações,
qual delas, é a pior? Dos ônibus coletivos. Como o pessoal vai trabalhar, ir
para a escola? É o caos. Olha São Paulo como para! Dos servidores da saúde.
Puxa, é horrível, doente, não achar que nos acuda, assista os acidentados. A mulher em trabalho de parto, cara! Dos
bancários. Dia desses fui pagar uma conta e estava tudo fechado. Fui multado,
uma injustiça. Pra quê eles fazem isto? É, mas Policial Militar é pior. Viu o
que aconteceu em Recife? E agora Polícia Federal, Civil, todo mundo “endoidou”
de vez. Dizem uns e outros: vai morrer muita gente! É muita confusão. Toda
prestação de serviço, seja ela Pública ou privada, suspensa, pode ser
devassadora. Umas a prazo um pouco mais longo, outras de efeito imediato. Nada
de afirmar ser esta ou aquela pior. Senão lembremos de quando - foi um dia
desses - o pessoal da limpeza pública do Rio de Janeiro cruzou os braços. Resultado?
Um horror. Logo, é bom nossos governantes “correrem” atrás do prejuízo e não
colocarem muita fé no ministro José Eduardo que declarou: ”papel da polícia é
não criar problemas”. O papel de todos os segmentos é não criar problemas,
principalmente a classe política dirigente que só pensa nas eleições e na Copa do Mundo. O “avião” está meio
desgovernado. Onde está o piloto?
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