Pesquisar este blog

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Desmilitarização das PM



Wilalba F. Souza                                                                        08maio14

O tema é mais discutido, principalmente, ao se aproximarem eleições. E ele volta,“bombando”, este ano, a exemplo do que se deu por ocasião da “Copa das Nações”, quando do controle às manifestações contra o governo foram ressuscitadas  e as PM tiveram que agir, com severidade, minimizando badernas até hoje inexplicáveis pelos teóricos, sociólogos, palpiteiros e políticos, mesmo considerando quando, por todo o território, protegidos pela lei, cidadãos, parece que até de bem, depredaram patrimônio público, particular, saquearam e enfrentaram a polícia. Ao fim, ninguém ficou preso, inclusive vândalos e marginais oportunistas, exceção feita aos dois “manifestantes” que, há uns dois, três meses, acenderam o estopim de um artefato que provocou a morte de um cinegrafista. Isto representa muito pouco, pelo absurdo que as turbas acometeram.

Na hora em que o “circo” pegou fogo, os governadores  acionaram suas  polícias. Qual delas? A militar? Mesmo com todas suas deficiências, o descaso com que são tratadas, a enorme tarefa que lhes é afeta,  neste nosso país carente de tudo. A despeito de  treinamento e equipamento defasados, foram pras ruas controlar os distúrbios públicos. E isto não é novidade. Se o Governador ordena, o comandante reúne sua tropa, seja a hora que for, e sai em socorro da população.  Existe toda uma técnica para tal tipo de trabalho. Formações táticas específicas, coordenadas e iniciadas lá nos cursos básicos, com a ordem unida que exercita a disciplina,os  reflexos e comportamento durante essas ações sensíveis. E ordem unida é coisa de militar. Comandar e ser comandado é coisa de militar. E, pelo que chegou ao nosso conhecimento, a maioria das corporações se saiu muito bem ao combater o vandalismo, a depredação e os  absurdos assistidos pela maioria dos brasileiros. Houve exceções, sim. E isto é normal. Afinal todo mundo foi pego de surpresa, pensando: “Ah!, futebol é festa e isto vai dar satisfação ao povo!”. Não existe aquela que ele quer é pão e festa? Pois é, parece que esta não é, mais, uma verdade absoluta a ser explorada pelos mandatários.

A origem das favelas, o aumento delas e a carência de quem, por falta de opção, as habita, todo mundo sabe. Os políticos também. Agravando-se os problemas sociais, por falta de ações públicas, os governantes decretam: “ polícia neles”, pois  traficantes “tomaram o poder”.  Aí não tem jeito: balas traçantes, armas de guerra, metralhadoras, modernas pistolas, muita munição e tocaia.  Da polícia? Não! Dos bandidos. Após, ferido um transeunte, recolhem as armas da polícia, a primeira suspeita. E. dessa forma, não há “UPA” que dê jeito. São equívocos que não se corrigem com mudanças em nomenclaturas, discursos ou destruição de instituições como as nossas PM. Que tal investir mais na sua formação? Melhorar as condições de trabalho e segurança de quem se propõe a enfrentar bandidos de todos os níveis, dispostos a matar e são armados para isto? Ora, é mais fácil cortar despesas com segurança que com projetos eleitoreiros como bolsa família, sua casa, sua vida e similares; é mais “lucrativo eleitoralmente” investir enormes quantia no processo eleitoral (urnas eletrônicas, cadastramento biométrico (?)  e outras “modernidades”) de fácil controle, que nem as nações mais desenvolvidas usam, que cuidar da melhoria de vida de todo cidadão.


Mas eu, calejado pelos anos de labuta nessa área, não me assusto. Eleições à vista e nossa presidente já aumentou o “Bolsa família”, reduziu a prestação dos financiamentos do “Nossa casa, nossa vida”, adiou o aumento da gasolina, das taxas de energia que “estourarão após as apurações” – seja quem for o vencedor do pleito - e, incrível, ainda disse, em rede nacional, que quer investigação severa dos desvios da Petrobras (já vimos este discurso antes), ela que presidia o tal conselho que autorizou a compra de uma refinaria nos Estados Unidos por “ milhões de dinheiros” acima do que valia. Assim, os vários candidatos opositores têm que adiantar os temas de seus discursos. E, com os avassaladores índices criminais subindo às alturas, quem mais aparece, e a toda hora do dia, são as PM, constitucionalmente encarregadas do policiamento ostensivo. Assim, a audiência midiática é feita em cima dos crimes e da criminalidade. Como quem trabalha muito erra mais, “pau nela!!!”.


Dia destes o senador Rodolfe – ex ativista estudantil ( é bonito ser isto ) declarou que o  modelo de segurança pública brasileiro está esgotado, e  tem que haver mudanças urgentes. É daqueles políticos que não pode ver militar que “arrepia todo” e deixa de reconhecer que o meio em que ele vive precisa, antes de todas as instituições nacionais, ser todo desfeito e refeito. Mas isto não pode!  Quando falam assim, dão a entender que neste nosso Brasil tudo funciona. A saúde, a educação, os transportes, o saneamento básico, e  por aí vai. Ao lado do Randolfe “marcha” seu colega, Lindemberg de Faria, do Rio de Janeiro. Esse jovem é mais radical ainda. Seu estado tem alto Índice de mortalidade por crimes violentos e enorme percentual de marginais por metro quadrado, numa bela e decantada metrópole cercada por favelas (hoje apelidadas de comunidades. É mais charmoso!), onde se abrigam hordas de bandidos. Pra falar a verdade, aqueles PM do Rio são verdadeiros heróis. Por causa disto são castigados: recebem uma “ninharia”,  num centro onde tudo é caro, menos para políticos, intelectuais, artistas e similares.

O tal Projeto de Emenda Constitucional está para ser votado. Mesmo dentro das PM há quem queira o que isto vá à frente. Deve ser por ignorância ou por algum problema pessoal, ligado a resistência aos regulamentos e normas. Entendo. Todo ser humano tem lá suas carências. Como cada estado da federação dá tratamento institucional específico a essas instituições, penso eu que, para a PM de Minas, isto não deve interessar. De plano me vem à mente tudo que construímos nestes dois séculos e meio. O nosso Instituto de Previdência, que atende nossas pensionistas e trabalha a atenção à saúde em coordenação com a diretoria específica, amparada, nos termos da lei, principalmente pela nossa condição de militar, constitucionalmente reconhecida, e  nossa estrutura de assistência, criada por nós mesmos, ao longo dos tempos. Esta mudança radical, caso avance  – o monstro está de boca aberta -,  implicará na revisão de tudo que regula nossa vida atualmente, evidentemente para integrarmos outro regime salarial e de previdência estatal. Assim, preparemo-nos, se isto acontecer, para dar adeus ao IPSM (Instituto dos Servidores dos Militares de Minas Gerais), à nossa rede de atenção à saúde, ao nosso secular Hospital Militar, e muitas outras conquistas adquiridas com suor e persistência de nossos antecessores.

Sem querer generalizar, no nosso meio político está cheio de “espíritos de porco”. Pra mexer na Petrobrás a luta é insana. Mesmo sabendo que essa “galinha de ovos de ouro” está mal alimentada e produzindo menos, não largam seu pescoço. Olhem a dificuldade para montagem das CPI. Usar algumas outras instituições é mais fácil, dá audiência. Há pouco tempo o ex-governador Paulista José Serra declarou, em alto e bom tom, que iria mudar o nome da PM de São Paulo. Voltaria a ser Força Pública do Estado. Esses moços acham que mudar nome transforma cultura e que, deixando de ser militar, num estalo de dedo, a bandidagem vai acabar nos morros e nos conglomerados urbanos, dando sossego à população. O povo, em sua boa parte da classe média, não está nem aí se o crime é combatido por militar o civil. Quer é andar nas ruas, com seus familiares sem sofrer com assaltos e violência. Ainda bem que tenho ouvido, no nosso meio policial militar, entre graduados e oficiais, palavras de repúdio a essas ameaças. Assim, nós que votamos, fiquemos atentos ao que dizem nossos candidatos, em todos os níveis, a respeito do assunto. É tempo de votar e nossa família tem muitos eleitores.

Por fim, fiquei sabendo que o tenente Gonzaga, suplente de deputado federal, assumiu a cadeira titular hoje, lá em Brasília. Deve se candidatar, à mesma cadeira, este ano. Ouvi dizer que ele é contra a desmilitarização, mas há quem diga que “há controvérsias”. Vamos no popular: “mensagens e telefonemas nele que vai precisar de votos daqui a pouco”

Acesse o blog “A boina do veterano”.


Nenhum comentário:

Postar um comentário