Os Presidentes Militares
Wilalba F.Souza
10maio14
São muitas as citações negativas à
Revolução de 64, quando militares das Forças Armadas foram eleitos presidentes
por colégio eleitoral, após o movimento hoje chamado de “Golpe Civil Militar”. Regime
de excessão, pois alguns direitos constitucionais foram cassados de políticos, principalmente, através de atos
advindos do executivo, de caráter impositivo
e, com razão, chamados de ditatoriais. Na realidade, historiadores e pesquisadores independentes,
descompromissados com o” politicamente correto” dos tempos atuais, mesmo não
concordando com esse “regime militar”,
contam a história de maneira imparcial, colocando os devidos pingos nos seus
devidos “is”, mesmo que isto não agrade quem hoje – sob o manto da democracia –
mande, desmande e cometa verdadeiros crimes contra a população, inebriada com
propaganda em massa, enganosa, cara e que, de certa forma, mantém a mídia
nacional, cuja maioria teme perder arrecadação e nos omite informações. Em
um país “emergente” e capitalista o
dinheiro manda mais do que o cidadão simples pode imaginar. Mal comparando,
essa massificação de propaganda institucional teve incremento fenomenal na
Alemanha de Hitler, com seus sonhos de dominação mundial. E deu no que deu.
A “ditadura brasileira” é,
reconhecidamente, por quem pesquisa com seriedade, diferente das outras, de
países sul-americanos e de Cuba, uma das mais antigas do mundo e reverenciada,
hoje, pelos “democratas” no poder. Como
aluno do Curso de Formação de Oficiais da PM cheguei a votar para cargos
políticos, à exceção de prefeito e presidente. Prefeito das capitais eram
nomeados. E, quando se referem ao “golpe”, a impressão que se tem é que o
“regime” se apossou de tudo. Nomeou, para cima e para baixo, “proibiu
geral” e fechou o pano. Entretanto,
segundo alguns escritores, as artes, a imprensa – inclusive a que inaugurou os
tablóides
(
lembram do “Pasquim”?)– continuou em atividade – mesmo que “vigiada”. A
produção dos intelectuais foi enorme. Gonzaguinha, com
suas músicas, atraia estudantes aos seus
shows superlotados com “Grito de Alerta”; Chico Buarque teve, naqueles tempos,
o auge de sua produção artística. Parece brincadeira, mas, no quartel, rapazes,
dedilhávamos no violão Geraldo Vandré, com o chamamento (ultra-subversivo? “
quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, etc.
O tempo passou, os militares devolveram
o governo aos civis. Se demoraram ou não, a discussão é outra e tudo está do
jeito que está. Quem hoje manda só faz desqualificar militares – mesmo os que
não têm idéia do que aconteceu e pagam um
preço muito alto por isto. Os próprios militares das Forças Armadas
reclamam dos baixos salários e de seu sucateamento. E aí, surge quem,
curiosamente, busca, lá atrás, como os cinco presidentes da “revolução”
encerraram suas vidas. Todos com aquilo
que seus soldos proporcionaram: um apartamento, ou casa, um pequeno sítio ou coisa parecida e os proventos da
transferência para a reserva. Não há notícias de tratamento de saúde em
hospitais de luxo, no exterior, ou vida extravagante. De filhos e dependentes
“plugados” em funções ou empresas públicas, coisa comum entre os políticos de
hoje.
De vez enquanto relembram dados
publicados em alguns jornais sobre as mudanças, das residências oficiais, de
presidentes que lotaram uma dezena ou mais de caminhões para a retirada de
seus pertences. Coisas demais,
certamente. Mas afirmar que são produtos de origem duvidosa, além de atitude
irresponsável, pode configurar até crime de difamação, se quem diz não prova. O
que se sabe é que, presidente, cujos presentes lhe chegam, no exercício de sua
função e acima de determinado valor, tem que incorporá-los ao patrimônio
público. Quer dizer, não pode levá-lo após o mandato. Se isto acontece ou não,
talvez um dia fiquemos sabendo. Será???
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