Wilalba
F. Souza
27mai2014
Está na moda os políticos curtirem com a
nossa cara. Nós brasileiros temos o costume de assimilar os maiores absurdos,
não reagir, e tentar salvar o “nosso lado”. O resto que se vire. Quem tem muito
dinheiro compra casas ou sítios em condomínios
luxuosos e abrigados. Só freqüenta a cidade a trabalho e em caso de extrema
necessidade. O mais pobre agüenta como pode, mora mal, em bairros sem estrutura
e organização, verdadeiras favelas onde, quando o poder público chega, fica
difícil qualquer intervenção mais efetiva. Exemplo? Barbacena. Lamentavelmente
a periferia da ex “Cidade das Rosas” está se expandindo em favelas, pois as administrações omitem acompanhamento
e regulamentação para ocupação do terreno. É de estarrecer.
A parte mais antiga de Barbacena tem
alguma organização urbanística. De anos para cá é uma lástima. É comum morador
fazer muro em cima da calçada, para proteger a entrada de sua casa, construída
no alinhamento do passeio. Quem acha que não, dê uma passada na rua Ceará, no
bairro Boa Vista. Nas reformas de imóveis é liberado o depósito de material nas calçadas
e no meio da rua. A permissividade é escandalosa. Já falei da invasão de
terrenos promovida pela EPCar ao longo de sua história aqui, mas há outros
exemplos: o Hotel Grogotó, lá na Penha, simplesmente fechou uma rua que
“incomodava”, pois passava ao lado de sua entrada, e ...tudo certo. Eu fazia
umas caminhadas por lá até que, certo dia, “topei” com um tapume impedindo a
passagem e um aviso descarado: “Rua interrompida temporariamente para obras...”
E ninguém fala “bulufas” Prefere continuar com “sua cidade”
bagunçada.
Eu sei que, a esta altura, todo mundo
acaba “pagando a conta”, de um jeito ou de outro. O pessoal taxado de “classe
média”, ou seja, quem ganha salário e pode
fazer uma casa melhor, pela falta de opção, procura o local “menos
ruim”. Isto não é fácil na nossa” terrinha”. Tenho amigos que economizaram toda
uma vida, construíram seus imóveis, na esperança de que sua rua fosse
pavimentada (asfaltada ou calçada e com rede fluvial), mas, infelizmente,
apesar dos apelos e das promessas, sofrem com a ação das águas da chuva, dos
buracos e da poeira. Outro dia, um desses meus amigos confessou que está
preocupado por que um seu vizinho está fazendo uma rampa de entrada de veículo
na sua garagem que vai até o meio da rua em prejuízo de todo mundo. O pior é
que, acionado o setor próprio, da prefeitura, ele, invariavelmente se omite.
Uma autoridade policial, sensibilizada com a dificuldade dos pedestres, no início
da rua São Vicente de Paula, no pontilhão, na subida pro Andaraí, fez documento
oficial para a prefeitura que autorizara, do lado do ponto de ônibus, um espaço
para carga e descarga, ao dono de uma pequena oficina de consertos eletrônicos,
e que lhe serve de estacionamento particular. Não se sabe porquê, nem lhe
responderam. Ali, agarradinho, há um “ponto” de moto-taxi. Os rapazes se
assentam no passeio, também ocupado em parte por suas motos, obrigando os transeuntes
– senhoras, crianças e idosos – a se arriscarem pelo meio da rua, disputando
espaço com veículos de todos os tamanhos. A placa de estacionamento proibido,
do mesmo lado, não impede que motoristas deixem seus carros por lá. Essa é
nossa cidade. Esse é o lugar onde moramos e criamos nossos filhos. Finalizando,
para confirmar essas práticas irregulares, quando puderem, dêem uma olhada na rampa de acesso que construíram numa
panificadora luxuosa inaugurada onde funcionou o DEMAE, lá na Avenida
Governador Bias Fortes. Ficou ridícula e desnivelou o passeio. E vai ficar
assim. Ninguém reclama e, mesmo que o fizesse, de nada ia adiantar. É a nossa
sina e, não tenha dúvida, se não for petista ou aliado, vai dizer tudo isto acontece por culpa da Copa do Mundo,
no Brasil. É mole?
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