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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Culpa da Copa do Mundo

                            

Wilalba F. Souza                                                           27mai2014

Está na moda os políticos curtirem com a nossa cara. Nós brasileiros temos o costume de assimilar os maiores absurdos, não reagir, e tentar salvar o “nosso lado”. O resto que se vire. Quem tem muito dinheiro compra casas ou sítios em condomínios luxuosos e abrigados. Só freqüenta a cidade a trabalho e em caso de extrema necessidade. O mais pobre agüenta como pode, mora mal, em bairros sem estrutura e organização, verdadeiras favelas onde, quando o poder público chega, fica difícil qualquer intervenção mais efetiva. Exemplo? Barbacena. Lamentavelmente a periferia da ex “Cidade das Rosas” está se expandindo em favelas, pois as administrações omitem acompanhamento e regulamentação para ocupação do terreno. É de estarrecer.

A parte mais antiga de Barbacena tem alguma organização urbanística. De anos para cá é uma lástima. É comum morador fazer muro em cima da calçada, para proteger a entrada de sua casa, construída no alinhamento do passeio. Quem acha que não, dê uma passada na rua Ceará, no bairro Boa Vista. Nas reformas de imóveis  é liberado o depósito de material nas calçadas e no meio da rua. A permissividade é escandalosa. Já falei da invasão de terrenos promovida pela EPCar ao longo de sua história aqui, mas há outros exemplos: o Hotel Grogotó, lá na Penha, simplesmente fechou uma rua que “incomodava”, pois passava ao lado de sua entrada, e ...tudo certo. Eu fazia umas caminhadas por lá até que, certo dia, “topei” com um tapume impedindo a passagem e um aviso descarado: “Rua interrompida temporariamente para obras...”  E ninguém fala “bulufas” Prefere continuar com “sua cidade” bagunçada.

Eu sei que, a esta altura, todo mundo acaba “pagando a conta”, de um jeito ou de outro. O pessoal taxado de “classe média”, ou seja, quem ganha salário e pode  fazer uma casa melhor, pela falta de opção, procura o local “menos ruim”. Isto não é fácil na nossa” terrinha”. Tenho amigos que economizaram toda uma vida, construíram seus imóveis, na esperança de que sua rua fosse pavimentada (asfaltada ou calçada e com rede fluvial), mas, infelizmente, apesar dos apelos e das promessas, sofrem com a ação das águas da chuva, dos buracos e da poeira. Outro dia, um desses meus amigos confessou que está preocupado por que um seu vizinho está fazendo uma rampa de entrada de veículo na sua garagem que vai até o meio da rua em prejuízo de todo mundo. O pior é que, acionado o setor próprio, da prefeitura, ele, invariavelmente se omite. Uma autoridade policial, sensibilizada com a dificuldade dos pedestres, no início da rua São Vicente de Paula, no pontilhão, na subida pro Andaraí, fez documento oficial para a prefeitura que autorizara, do lado do ponto de ônibus, um espaço para carga e descarga, ao dono de uma pequena oficina de consertos eletrônicos, e que lhe serve de estacionamento particular. Não se sabe porquê, nem lhe responderam. Ali, agarradinho, há um “ponto” de moto-taxi. Os rapazes se assentam no passeio, também ocupado em parte por suas motos, obrigando os transeuntes – senhoras, crianças e idosos – a se arriscarem pelo meio da rua, disputando espaço com veículos de todos os tamanhos. A placa de estacionamento proibido, do mesmo lado, não impede que motoristas deixem seus carros por lá. Essa é nossa cidade. Esse é o lugar onde moramos e criamos nossos filhos. Finalizando, para confirmar essas práticas irregulares, quando puderem, dêem uma olhada na rampa de acesso que construíram numa panificadora luxuosa inaugurada onde funcionou o DEMAE, lá na Avenida Governador Bias Fortes. Ficou ridícula e desnivelou o passeio. E vai ficar assim. Ninguém reclama e, mesmo que o fizesse, de nada ia adiantar. É a nossa sina e, não tenha dúvida, se não for petista ou aliado, vai dizer  tudo isto acontece por culpa da Copa do Mundo, no Brasil. É mole?



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