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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Que vergonha, sô!

                                  Wilalba F. Souza 
                                                        24maio14
Neste mundo de meu Deus a gente escuta e vê de tudo. E, vez por outra, bolam historinhas mirabolantes e pitorescas para nos alegrar. Aliás, com a balbúrdia que observamos no dia a dia, uma risada de vez enquanto é bastante salutar. É, parece que não, mas, comprovadamente, sorrir é o melhor remédio. Me remete ao meu colega João Muniz,  companheiro de quarto durante em um curso que fizemos, juntos, em Recife, ihh!, há muito tempo, na Policia Militar de Pernambuco. Seus cidadãos são pessoas de boa índole, valentes e bastante conservadores. Os homens são “mandões” em suas casas. Mulher nova, dependente dos pais e separada do marido, de modo geral tem que voltar para casa e se portar como se solteira fosse, namorando, depois disso, na sala, sob vigilância permanente. Ninguém me contou. Eu vi. Eu testemunhei. E não tirem conclusões apressadas, tá!

Lá no Pernambuco a recepção é sempre auspiciosa. O “galo da madrugada” existe e as mulheres costumam ser bronzeadas, tal qual as índias do cinema brasileiro. Castanha e Caju, renomados cantores /repentistas, estavam começando. Comprei, deles, o disco do “Ladrão bobo e o ladrão sabido”. “Estourariam” em todo Brasil, pouco depois. Reginaldo Rossi, mais “rodado”, era figurinha fácil. Seus shows muito divertidos. Cansei de  fazer base de teclado do seu bolerãol, Garçon, para o Mário (Tim Maia de Barbacena) cantar por esses botecos afora. Às vezes nossos instrutores de educação física nos levavam para “malhar” na Praia de Boa Viagem, sempre pela manhã. Todo mundo já oficial superior, coroas mesmo, e eles não “forçavam muito a barra”. Certa vez fui dar um mergulho naquele “marzão” e os colegas de lá não deixaram. – Tem tubarão, moço, gritaram. Aí passei a ir para praia do “Janga”, mais calma, em Olinda.

Mas, voltando ao meu colega João Muniz, infelizmente já falecido, companheiro de fé, excelente contador de piadas e anedotas. Nos fazia rir a toda hora. Com seu jeito debochado ele contou a história do indivíduo que, desconfiando, ou melhor, mais que desconfiando que sua mulher o estava traindo com um de seus melhores amigos, resolveu, já nervoso com a situação, ficar na espreita. Avisou, depois do almoço, que ia trabalhar, saiu e deu a volta pelos fundos. Em local coberto, esperou por mais de uma hora, quando escutou a campainha. Esgueirou-se e viu que um de seus melhores amigos, um tal de Marcos, foi logo entrando e se atracando com a “dona da casa”. Procurou uma posição melhor pra ver no que ia dar aquilo, quando sua mulher começou a se despir. Pela parte de cima. Soutien fora, seus seios despen-caram. Em seguida, livre a parte de baixo, o traído assistiu quando a barriga e a “poupança” da companheira  quase se arrastaram pelo chão. O suficiente para o marido da dona colocar a mão no rosto e lamentar, profundamente: Aiii! Que vergonha do Marcão!

Pois é! Pode não dar para rir, mas o Ronaldo Fenômeno, um dos ex-jogadores da seleção brasileira que mais faturam nesse evento de junho disse, para a imprensa, que tem vergonha do Brasil pelo fato dos preparativos da Copa do Mundo não estarem prontos. Vive “agarrado” às autoridades que “pisaram na bola”, viaja pra todo canto e mantém um prestígio que talvez supere o do craque do passado. Ele que afirmou não serem as prioridades do torneio construção de hospitais. Ele que não tem vergonha nenhuma de ver a carência do povo brasileiro em projetos básicos, como transporte, escolas, moradia, segurança, etc. Ele que veio de uma comunidade bastante humilde em São Cristovam, no Rio de Janeiro. Ele que, por isto mesmo, recebeu do escritor Paulo Coelho, reprimenda pública que o insta calar a boca, antes de fazer pronunciamentos iguais a esses. Paulo Coelho esteve com Lula e outros “embaixadores” na Europa quando da escolha do Brasil para sediar a Copa, e se disse arrependido. Que vai ver jogos mas que, de forma alguma, irá a estádios e ...enquanto isto,  Ronaldinho, o Gaúcho, vai alugar sua casa, no Rio de Janeiro, no período dos jogos, por R$35.000,00 a diária. Tudo caladinho, caladinho...  




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