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terça-feira, 27 de maio de 2014

É proibido proibir e a liberdade de imprensa

                  
Wilalba F. Souza                                                             26amai2014

Não estou muito informado sobre a legislação que cuida da regulação das atividades da imprensa neste nosso Brasil. O que percebo é que a maioria dos brasileiros “curte” mais rádio e televisão do que jornais escritos. Ler dá muito trabalho, que o diga o ex(?)presidente Lula. E tudo indica, também, que a população ignora a questão, ficando isto por conta dos interesses  (pouco transparentes) dos governos. E, no cone sul, temos exemplos em vizinhos que exageram, para evitar críticas às autoridades. Na Venezuela fecham jornais e emissoras de rádio e TV. Na Argentina estatizam a  distribuição de papel. Quem apóia recebe sua cota, senão é obrigado a fechar suas redações. Mas, mesmo nas nações mais desenvolvidas os governantes criam alguns instrumentos de controle, não tão radicais como vemos por estas bandas, mas eles existem.

No Brasil são muitas as tentativas de ”aperfeiçoar” e regular  os meios de comunicação, chamados de quarto poder. No período do governo militar havia intervenção e “força” para reprimi-los, através de decretos autoritários. Mesmo assim o “quarto poder” dava “voltas” nos mandatários conseguindo ajudar, e muito, a difusão de mensagens para retorno à democracia plena. Conseguido isto, desde os tempos do  peessedebista Fernando Henrique e, prosseguindo com o Petista, este mais radical, com planos de permanecer por aí  por tempo indefinido, os políticos aliados, principalmente, ao governo, conspiram para limitar a ação dos meios de comunicação e informação. Sinto que eles querem aproveitar o fato de haver real necessidade de regulação, por outros motivos, e inserir proibições que os blindem. É uma prática corriqueira “transplantarem-se”, nos projetos,  emendas que nada têm a ver com a motivação central da lei. São as famosas “leis Frankstein”, aprovadas, às vezes, com barganhas vergonhosas, de ganho direto ou indireto de setor  que nada tem a ver com o requerimentos originais...

E é lógico que, no capitalismo em que vivemos, há notícias que vendem mais. Me disseram que, em primeiro lugar, vêm as que envolvem presidentes e governadores. Nos “palácios” são permanentes os plantões. Depois vem o resto. Meu sentimento é de que a própria imprensa, no seu resguardo, renega qualquer medida que restrinja sua atuação. É uma queda de braço. Já ouvi, de profissionais da área, que já existe, na legislação convencional, instrumentos de defesa, via judiciário, como o direito de resposta, a possibilidade de ação por calúnia, injúria, difamação, etc. Mesmo assim não sei até onde pode ir essa liberdade  de imprensa que se considera auto-suficiente para decidir o que é conveniente, ou não, de  ir a público, muitas vezes alegando que quem tem que censurar é o leitor, o ouvinte ou o telespectador. \Só sei que, nessa “tocada”, e disputando audiência, nossa imprensa (mais as TVs) tem banalizado assuntos de imensa consternação, mostrando a violência, repetidas vezes, como  assaltos e homicídios, que nos tocam profundamente.  Detalham, com imagens que dramatizam, via comunicadores talentosos, bandidos executando homens e mulheres com tiros “a queima roupa”, e as vítimas esvaindo em sangue, nos estertores da vida, num show macabro sem tamanho. Tenho certeza que, com a repetição desses delitos odiosos, nos muitos canais que entram nas casas de todos nós, há um  aumento da sensação de insegurança nas ruas.

Se eu pudesse pediria, ao nosso sistema midiático em geral, para conter um pouco, um pouquinho só, essas emanações que só fazem apavorar as pessoas. A Globo noticiou, ontem, proibição, pela justiça, da exibição de reportagem sobre a Suzane Richthofen. Aquela que, com o namorado e o cunhado, assassinou os pais. Durante o “Fantástico” os apresentadores leram nota da emissora repudiando o ato judicial por ter concedido uma liminar, requerida pelos defensores da condenada, em ação que teria sido – segundo eles - um verdadeiro atentado a “liberdade de imprensa”. Bom, se tudo foi feito através da lei, com despacho de juiz competente, e como já, antes do fato, nos convenceram, os donos dos meios de comunicação,  haverem instrumentos formas legais capazes de coibir abusos e outros desvios da atividade, não há que se falar  em atentado contra ninguém, confirmando-se, assim, a desnecessária adoção de  mais instrumentos de  “regulação da imprensa”. Mas vê-se, por isso, que essas pendengas não têm fim.

O comportamento de toda e qualquer nação livre e democrática depende muito, mas muito mesmo, de sua cultura. Não só de leis e regulamentos escritos, que os juristas chamam de direito positivo.  A educação e a ética são vias saudáveis à boa convivência social, cruciais ao alcance dos melhores índices de desenvolvimento humano. Enquanto isto não acontece temos que ir experimentando remédios amargos, receitados pelos dirigentes e políticos brasileiros, e o resultado tenebroso de seus efeitos colaterais, no momento em que todo mundo assume uma máxima criada, parece, por Caetano Veloso, durante os chamados “anos de chumbo”, e assimilada nestes  tempos de liberdade, sem responsabilidade, e que diz: “É PROIBIDO PROIBIR”.










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