Wilalba F. Souza
27mai14
Há
muitos anos, quando veio para Barbacena, a Escola Preparatória de Cadetes do Ar
recebeu, para se instalar, ali nas imediações do Bairro São José, o prédio do Colégio Mineiro. Uma conquista
(?) para nossa tradicional e antiga cidade. Devagarzinho os comandantes, que há
tempos eram as maiores e mais referenciadas autoridades da região, mormente no
governo militar, foram se apossando de áreas públicas. Uma delas constituía a
Praça de Esportes Municipal, inclusive com piscina, de programa implantado por
Juscelino, quando governador, na década de 50. Cadê a tal praça? Foi invadida,
com a omissão e fraqueza das autoridades da “terrinha”, pelos brigadeiros. Há
pouco tempo prometeram devolver a área aos seus legítimos proprietários – o
povo – e não o fizeram, empurrando com “a barriga” a ex-prefeita. Perdemos excelente
oportunidade de melhorarmos o trânsito
que entra e desemboca no “Pontilhão”, hoje bastante problemático. Costumo dizer
que estamos “sitiados” por esses militares. É só ver que suas (?) fronteiras
cresceram enormemente além do que receberam em tempos de antanho. E o povo aguenta.
E por isto paga caro, dando voltas quilométricas para atingir des-
tinos fisicamente bem
próximos.
E
o aeroporto? Eles o classificam de militar. Me disseram que há controvérsia. Enquanto
isto a aviação civil emperra seu desenvolvimento por uma cultura de manutenção
do “sabe com quem está falando?”, mania arraigada pelos regimes de exceção. É
muito investimento e desperdício para atender aos dois aviões da força que
ficam por aqui e luxo excessivo para manter, com dinheiro orçamentário, o
“status” de “donos” da aviação brasileira, em todos os sentidos. E que o diga
os pessoal do Aeroclube de Barbacena que não pode investir em melhoramentos, proibido
e pressionado pelos nossos militares federais locais. Por isto, o angar do
mesmo aeroclube, que aqui aportou antes da EPCar, está lançado às moscas.
Se
um piloto civil fizer manobras radicais, evoluções e vôos rasantes num centro
urbano qualquer, ele será apenado. Processam-lhe, tomam-lhe a licença e, sem
exagero, o trancam no xadrez. Os pilotos da aeronáutica não.
Onde
quer que estejam podem fazer suas acrobacias. Há muitos anos um colega meu de
infância morreu em um passeio num T-6 quando o “atirado” piloto resolveu
radicalizar. Enterrou sua aeronave na pista do aeroporto. O corpo do rapaz - menino Maurício – foi reconhecido pelo
pai...através tênis que usava à época. Certa vez outro piloto arrancou a
“torre” de uma casa no centro, no Dia da Pátria, num vôo muito baixo. Tudo sem
a mínima necessidade, a não ser de preencher o ego desses rapazes, “nossos”
pilotos.
Há
pouco tempo conheci o piloto que, sobrevoando Brasília, quebrou os vidros da
sede do governo. Ele contou a “proeza” rindo, na maior naturalidade.
Não
entendo como o Barbacenense vê tudo isto e se cala. Hoje, na hora do almoço,
tocaram “horror” em todo mundo. Pra mim isto é insanidade e já está se tornando
rotina. Na cabeça de quem cabe um desrespeito desses e em troca de quê? Uma
série de rasantes criminosas, dadas por um avião a jato extremamente
barulhento, pilotado por alguém cuja formação deveria ser mais cidadã, e que,
certamente, por estar conduzindo uma máquina de tal poder ofensivo, se acha “o
máximo” e deixa de proteger quem o “financia” e passa a agredi-lo, talvez se
vangloriando pela sua coragem, tal qual seu igual que quebrou os vidros na
capital federal, na frente da presidente, dos ministros e autoridades, ficando
tudo “por isto mesmo”. Isto é que é “heroísmo”!
Mas
ele é comandado. Então, a responsabilidade é, também e principalmente, de quem
autorizou o absurdo. Do leão que ensina seus filhotes a caçar. Que fica todo
orgulhoso quando prejudica velhos, crianças e doentes. Que fica sorridente ao
ver suas “maquinas” sobrevoando hospitais, escolas, creches e residências. Que
dá gargalhadas, com seu fogo atirando contra amigos, porque outros inimigos
eles não devem ter. E ai, amigos, que respeito podemos ter por esses militares
que se consideram
imunes
e livres para tudo? Que se julgam tutores da Nação, mas que, pelos atos relatados,
deixam claro sua índole aventureira e nefasta em relação a quem lhes paga: O povo,
Ah! “ o povo que se lasque”, devem
pensar. Com a palavra quem foi eleito para conduzir os destinos de Barbacena e
zelar pelo bem estar da população: prefeito, vereadores, promotores, juízes,
que devem ter testemunhado tudo, porque, apelos já foram feitos e não foram – e
acho também, não serão ouvidos. Os abusos de autoridade deverão continuar.
Infelizmente continuaremos a ser agredidos.
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