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sexta-feira, 23 de maio de 2014

O Comando da Aeronáutica e o Abuso de Autoridade

              

Wilalba F. Souza                                                                  27mai14

Há muitos anos, quando veio para Barbacena, a Escola Preparatória de Cadetes do Ar recebeu, para se instalar, ali nas imediações do Bairro São José,  o prédio do Colégio Mineiro. Uma conquista (?) para nossa tradicional e antiga cidade. Devagarzinho os comandantes, que há tempos eram as maiores e mais referenciadas autoridades da região, mormente no governo militar, foram se apossando de áreas públicas. Uma delas constituía a Praça de Esportes Municipal, inclusive com piscina, de programa implantado por Juscelino, quando governador, na década de 50. Cadê a tal praça? Foi invadida, com a omissão e fraqueza das autoridades da “terrinha”, pelos brigadeiros. Há pouco tempo prometeram devolver a área aos seus legítimos proprietários – o povo – e não o fizeram, empurrando com “a barriga” a ex-prefeita. Perdemos excelente  oportunidade de melhorarmos o trânsito que entra e desemboca no “Pontilhão”, hoje bastante problemático. Costumo dizer que estamos “sitiados” por esses militares. É só ver que suas (?) fronteiras cresceram enormemente além do que receberam em tempos de antanho. E o povo aguenta. E por isto paga caro, dando voltas quilométricas para atingir des-
tinos fisicamente bem próximos.

E o aeroporto? Eles o classificam de militar. Me disseram que há controvérsia. Enquanto isto a aviação civil emperra seu desenvolvimento por uma cultura de manutenção do “sabe com quem está falando?”, mania arraigada pelos regimes de exceção. É muito investimento e desperdício para atender aos dois aviões da força que ficam por aqui e luxo excessivo para manter, com dinheiro orçamentário, o “status” de “donos” da aviação brasileira, em todos os sentidos. E que o diga os pessoal do Aeroclube de Barbacena que não pode investir em melhoramentos, proibido e pressionado pelos nossos militares federais locais. Por isto, o angar do mesmo aeroclube, que aqui aportou antes da EPCar, está lançado às moscas.

Se um piloto civil fizer manobras radicais, evoluções e vôos rasantes num centro urbano qualquer, ele será apenado. Processam-lhe, tomam-lhe a licença e, sem exagero, o trancam no xadrez. Os pilotos da aeronáutica não.
Onde quer que estejam podem fazer suas acrobacias. Há muitos anos um colega meu de infância morreu em um passeio num T-6 quando o “atirado” piloto resolveu radicalizar. Enterrou sua aeronave na pista do aeroporto. O corpo do rapaz  - menino Maurício – foi reconhecido pelo pai...através tênis que usava à época. Certa vez outro piloto arrancou a “torre” de uma casa no centro, no Dia da Pátria, num vôo muito baixo. Tudo sem a mínima necessidade, a não ser de preencher o ego desses rapazes, “nossos” pilotos.
Há pouco tempo conheci o piloto que, sobrevoando Brasília, quebrou os vidros da sede do governo. Ele contou a “proeza” rindo, na maior naturalidade.

Não entendo como o Barbacenense vê tudo isto e se cala. Hoje, na hora do almoço, tocaram “horror” em todo mundo. Pra mim isto é insanidade e já está se tornando rotina. Na cabeça de quem cabe um desrespeito desses e em troca de quê? Uma série de rasantes criminosas, dadas por um avião a jato extremamente barulhento, pilotado por alguém cuja formação deveria ser mais cidadã, e que, certamente, por estar conduzindo uma máquina de tal poder ofensivo, se acha “o máximo” e deixa de proteger quem o “financia” e passa a agredi-lo, talvez se vangloriando pela sua coragem, tal qual seu igual que quebrou os vidros na capital federal, na frente da presidente, dos ministros e autoridades, ficando tudo “por isto mesmo”. Isto é que é “heroísmo”!

Mas ele é comandado. Então, a responsabilidade é, também e principalmente, de quem autorizou o absurdo. Do leão que ensina seus filhotes a caçar. Que fica todo orgulhoso quando prejudica velhos, crianças e doentes. Que fica sorridente ao ver suas “maquinas” sobrevoando hospitais, escolas, creches e residências. Que dá gargalhadas, com seu fogo atirando contra amigos, porque outros inimigos eles não devem ter. E ai, amigos, que respeito podemos ter por esses militares que se consideram
imunes e livres para tudo? Que se julgam tutores da Nação, mas que, pelos atos relatados, deixam claro sua índole aventureira e nefasta em relação a quem lhes paga: O povo, Ah!  “ o povo que se lasque”, devem pensar. Com a palavra quem foi eleito para conduzir os destinos de Barbacena e zelar pelo bem estar da população: prefeito, vereadores, promotores, juízes, que devem ter testemunhado tudo, porque, apelos já foram feitos e não foram – e acho também, não serão ouvidos. Os abusos de autoridade deverão continuar. Infelizmente continuaremos a ser agredidos.



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