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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Será o Benedito???



Wilalba F. Souza                                                                    23mai14


Garoto, em Governador Valadares, lá pelas décadas de cinqüenta para  sessenta, era comum, mesmo em cidades menores – naquele tempo GV era pequena – existirem  dois, até três “cinemas”. Lá mesmo dispúnhamos dos cines Palácio, Ideal e Pio XII. À tarde, a gente montava em uma  bicicleta – toda família tinha algumas –  ia  pro cinema e a  encostava em cima do passeio, para  assistir  faroestes ou  chanchadas brasileiras. Rangolfh Scott, John Wayne, Oscarito e, Grande Otelo, faziam nossa alegria. Após, ia pra casa, dormia e, somente no outro dia, lembrava do “camelo”.

- Wilalba, cadê a bicicleta, gritava meu pai!
- Chiii, esqueci lá no cinema?
- Será o Benedito? Vai buscar, agora!!!

E lá ia eu pegar o veículo, encostado no mesmo lugar que eu deixara. Os tempos eram outros, evidentemente. A polícia tinha autoridade para cuidar da segurança e impunha respeito. Fórum e juizes estavam num outro nível, como instituições assentadas e em condições de resolver pendengas. Hoje tem gente que “encara” e desrespeita magistrados em audiências. Sinal
dos tempos e das autoridades capengas, onde pai que corrige filho com umas chineladas está fadado a ir para a cadeia.

Pois é. O Benedito citado no título se refere ao nosso governador Benedito Valadares. O mesmo que deu nome à progressista cidade do leste de Minas, a “Princesa do Vale do Rio Doce”, emancipada em 1.938. Getúlio Vargas que, no final do século XIX, estudou em Ouro Preto, à época centro de excelência universitária, ainda menor, e com um  irmão, teriam se envolvido em uma briga estudantil, e  participado da morte de um rival, também estudante. Como hoje, colocaram-no como autor do crime: era “dimenor”. Depreende-se que esta prática é mais antiga do que se pensa!

No início da década de trinta, as pendengas políticas foram resolvidas com uma revolução. Minas participou, apoiando Vargas, com tropas estaduais, dos embates, quando São Paulo foi derrotado por querer a hegemonia do poder. Coisa intrincada para a qual se sugere consultar a “história”. Getúlio assumiu “tudo” prometendo, dentre outras coisas, organizar a Justiça Eleitoral e promover eleições, em um prazo que se estendeu por mais tempo que o estimado por ele e seus seguidores.

Ao “presidente” cabia nomear os governadores ( Na Revolução de 64 isto não aconteceu). Para Minas Gerais, segundo contam, Getúlio teria re-tardado sua decisão. E isto provocou uma expectativa nos políticos e na população. – Quem será, perguntavam? Como Getúlio era admirador público e confesso de Benedito Valadares, começaram a propalar, em forma de questionamento, quase uma premonição coletiva: Será o Benedito? E acabou sendo!

Juscelino Kubstchek, Israel Pinheiro, Magalhães Pinto, Bias Fortes, Gustavo Capanema, Afonso Arinos, Milton Campos, José Maria Alkmin,Afonso Pena, Negrão de Lima, alguns dos mais notáveis políticos mineiros do século passado, reunidos em outro plano, pois já faleceram, devem estar comentando, após assistirem as bagunças, mazelas e desencontros deste nosso país de hoje, onde estamos paupérrimos de líderes e políticos de peso: - Será o Benedito???



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