Brasileiro é tão bonzinho
Wilalba F. Souza
15mai14
Os mais velhos estão lembrados,
certamente, de um quadro de programa humorístico, na televisão, a mostrar uma
loura muito bonita que, após ser enganada por um conterrâneo nosso, se
apressava em elogiá-lo com a frase do título, quase jargão. E todo mundo ria
daquela bobagem repetitiva, no fundo vazia de conteúdo e sem graça, não fosse
pelas formas da linda atriz, de origem norte americana.
E é só ligar a televisão, rádio, ou ler
nossos jornais para confirmarmos que continuamos mais ”bonzinhos” ainda,
perseguindo a linha irônica do enredo do
humorístico que fazia todo mundo rir. No Rio de Janeiro, São Paulo, Belo
Horizonte, Recife e mais um sem número de capitais e cidades do interior, as
greves e protestos sociais brotam como nos surtos de sarampo ou catapora (nem
se fala disso hoje) do meu tempo de criança. Remédio pra esses males era,
basicamente, chá caseiro, repouso, cuidados dos nossos pais e eles iam embora.
Mal comparando, nossos dirigentes
políticos estariam na condição de pais separados, brigando pela guarda do filho
doente, sem dar a devida atenção a ele. Esta disputa política por hegemonia no
poder tem feito muito mal ao Brasil. Petistas e seus aliados querem que os
estados ou cidades governados pelo PSDB e aliados se “arrebentem“.- Assim o
povo vota em nós”. E, do lado de lá, a estratégia é a mesma. Enquanto isto o
garoto - o povo, desculpem - tem seu estado de saúde agravado. É insanidade
demais de quem grita querer o bem de todos. Enquanto isto a doença avança
e “encroa”.
A classe política brasileira é incapaz
de, seja em que época for, “ dar um tempo”. Toda ela, quando as pesquisas falam
em seu desfavor, enche os olhos de sangue, mostrando sua arrogante e nefasta
beligerância. A tal ética já foi “cremada”. Embora não a respeite, a cobra de seus
“inimigos”. Essa campanha do medo, lançada pelo PT, e criticada por ele mesmo
lá atrás, como coisa do PSDB, antes da eleição do Lula, através de uma atriz, causou
reação, protestos. E está sendo utilizada, agora por quem a recriminou.
Conclusão: bateu levou e o resto que se dane. Inclusive a criança com febre...
O tempo vai passando e a doença do filho
se agrava. Aí repouso e cuidados básicos e improvisos não surtem mais efeito. O
remédio tem que ser mais forte, dolorido mesmo. E ninguém quer aplicá-lo. Quem
o fizer vai ficar mal com a criança. O perigo é ela “ir a óbito”, como dizem os
médicos. E isto é o que esses governantes têm pela frente agora. Um surto
doenças muito graves: greves na polícia – Polícia Federal não (será?)- a
Justiça proibiu durante a Copa-, manifestações por todos os cantos, avenidas e
rodovias fechadas, paralisação nos transportes públicos, caos na saúde,
desfalques em estatais, aeroportos entupidos, saques, destruição e morte. Ah!
Isto pode esperar. O debate mais importante, para “nossos” representantes é o
eleitoral. Virou guerra. E as desgraças que ela nos deixa, não cabem nesta
pequena página. Para os políticos vencedores restarão os despojos: toda essa
destruição que eles promovem em nome do “ganhamos. Nós mandamos” e outras
cantilenas acompanhadas do descumprimento das promessas de campanha.
Como a atriz/comediante, claques batem
palmas, mesmo sem ter conseguido uma moradia, um salário justo, uma
aposentadoria correta, sem o “sangue-suga do fator previdenciário, com pouca comida à mesa, sem hospital, sem escolas
decentes para seus filhos, sem o direito
de ir e vir em paz, vilipendiado e humilhado, mas esperançoso de que, “desta
vez, seremos salvos e manteremos nossas bolsas”, esquecendo que o político eleito, de presidente a vereador,
alcançado seu objetivo, tem uma só
preocupação: ser re-eleito” ad-eternum”! A que preço? Qualquer um que não saia
de seu bolso e que, de preferência, propicie a eliminação sumária e definitiva
de seus adversários políticos. Como isto é impossível, a guerra vai continuar e
muita gente vai a óbito por isto, tal qual o filho mal cuidado. Brasileiro é tão bonzinho?
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